sábado, 1 de março de 2008

Considerações sobre a primeira visita


Apurando os fatos....

Dona Regina nos disse que além do artesanato, o povo de Cafundó tem danças típicas africanas, como 'jango' e 'samba de piaba'. Aproveitando a ocasião, ela nos informou de que alguns moradores participariam no dia 8 de março de uma feira na cidade de Salto de Pirapora, promovida pela prefeitura, em que levariam seus artesanatos para exposição e um grupo apresentaria as tais danças. Ainda não sabemos se teremos autorização para irmos nesta feira, para registrar tudo, mas já estamos correndo atrás das devidas autorizações.

Outra coisa que descobrimos, além da festa católica que ocorre em maio, é que apesar da tradição de seus ascendentes ser católica, hoje em dia, a maioria dos adultos de Cafundó é evangélica. Nada difícil de entender, depois que Dona Regina explicou a dificuldade que é para levar um padre para rezar uma missa lá enquanto um pastor da Congregação faz culto todo final de semana naquela sede bonita que tem lá.

Dona Regina, junto com uma outra moradora que não sei o nome, reclamaram também da educação. A prefeitura de Salto de Pirapora manda um ônibus, gratuitamente, todos os dias, para as crianças de Cafundó irem até a escola (pública) na cidade. Parece bom, mas o buraco é mais embaixo. Primeiro que, além das crianças, os adultos também gostariam de ser alfabetizados. Dona Regina nos disse que até teve um projeto de alfabetização de adultos por lá que durou só seis meses e não teve muitos resultados. Segundo ela, existem pelo menos quinze (= 15% da população) adultos analfabetos em Cafundó, com interesse em aprender a ler e escrever, que não têm possibilidade de obter ensino gratuito e na própria comunidade. Além disso, o tal ônibus que leva as crianças vai somente até o final daquela parte asfaltada da estrada tornando perigoso o caminho para as crianças, já que os pais tem de trabalhar e não podem acompanhá-los.

O sistema público de educação parece ainda não ter chegado completamente até lá. Mas o de Saúde, razoavelmente, chega. Uma vez por semana, um médico do programa do governo federal 'Saúde da Família' vai até a comunidade para dar atendimento gratuito aos moradores.

Mas o que mais preocupa Seu Marcos é a (velha) questão da terra, o processo já dura mais de trinta anos na justiça. E eles nem conseguem ter muita informação sobre o andamento. O que também não é difícil de concluir já que da parte do quilombo o advogado vem da defensoria pública e, do outro lado, estão outros tantos advogados bons (e pagos) para defenderem os fazendeiros que ocupam o território que pertence ao Cafundó.

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