segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Mestrado Daniela Bertocchi

Não consegui ler tudo ainda, mas separei alguns pontos interessantes para vermos se nosso TCC está cumprindo. Primeiro, que a narrativa multimídia se baseia em três princípios: princípio da conexão (acho que se cumpre quando likarmos “tudo com tudo”), princípio da unidade ou coesão (também acho que seguimos uma linha narrativa geral, quando optamos pelo maior destaque em uma reportagem principal e links para as reportagens de temas complementares, além de quando utilizamos em uma mesma página vídeo, texto e áudio com um tipo de mídia completando o outro) e princípio da liberdade aparente (quando o leitor tem liberdade de navegação, principalmente; ele pode ver um vídeo, e passar para um texto no mesmo tema, e daí se interessar por um vídeo de outro assunto, ou voltar para um áudio, por ex).

E sobre o que a Daniela Osvald nos indicou para lermos no mestrado, a diferença entre hipertextos por associação e hipertextos por conexão. Por associação seria um modelo de estrutura em rede, mais ou menos quando uma coisa se liga a outras sem uma ordem hierárquica, uma representação não seqüencial de idéias (a mente humana funciona assim, por associação) e esse formato seria até mesmo um instrumento para a criatividade individual, para quem navega montar seu trajeto narrativo. Por conexão, seria uma estrutura axial, num formato como desenhamos, por exemplo, uma árvore genealógica. Esse tipo de link é bom quando temos muito conteúdo armazenado, como uma base de dados, formando algo como um documento eletrônico, e é interessante também por ter associações controladas, ou seja, o leitor não precisa navegar acidentalmente.

Bom, e por último, algo que acho que era uma preocupação minha, que pudesse faltar algo mais interativo no TCC. O que ela diz é que a cooperação do leitor em reportagens multimídias está muito mais na liberdade de navegação que damos a ele, na liberdade dele construir esse caminho narrativo. E mesmo com o blog que vamos linkar, essa atuação é participativa, não de co-autoria.

domingo, 27 de julho de 2008

(última?) Viagem ao Cafundó... entrevistas

No dia 28 de junho de 2008, saímos, eu (Lilian), meu marido e colaborador do grupo, Edimarcos, o colega de grupo, Pedro, e o cinegrafista Rubens, da Faculdade Cásper Líbero, antes das nove horas da manhã, para começar a que deve ter sido a nossa última viagem ao Cafundó.
Já havíamos avisado que iríamos e o Marcos, líder da comunidade já aguardava por nós.
Nosso objetivo era entrevistar ele e os seus dois irmãos, Adauto e Juvenil, e, ainda, se possível, o morador mais velho da comunidade.
No final só não conseguimos um dos irmãos, o Adauto, que tinha ido fazer sei lá o que, sei lá aonde e acabou não aparecendo para entrevista.
Mas as três entrevistas que conseguimos foram muito boas, agora falta pouca apuração e muita edição pela frente....
Na última sexta-feira, 25 de julho, fui ao Itesp, Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo, e entrevistei a senhora Maria Ignez, analista de desenvolvimento agrário, da Assistência Especial para Quilombos.
Agora estamos tentando marcar uma entrevista com alguém do Incra, para darem a posição deles sobre a situação da titulação das terras, e também com o Itesp de Sorocaba para nos falar sobre os projetos agrícolas desenvolvidos no Cafundó.
Já temos muito material para decupar e combinamos de terminar tudo até a próxima quarta, 30 de julho, quando nos reuniremos, Lilian, Juliana e Pedro, para definirmos as próximas etapas do nosso trabalho.
Vamos lá, pessoal, ainda tem muita água para passar debaixo desta ponte...
Força!
e até quarta!

sábado, 12 de julho de 2008

Na contramão

Diferentemente dos livros que exaltam a falta de ajuda às comunidades quilombolas e as dificuldades que os moradores dessas comunidades têm passado, o livro ARevolução Quilombola, de Nelson Ramos Barretto, mostra o movimento a partir de uma "guerra racial" e do confisco de terras.

O autor usa, para abrir o livro, uma frase de um funcionário do INCRA que classifica a luta das comunidades quilombolas como um MST de negros, e foca todo o começo do livro na luta entre raças, que ele acredita ser fomentada por esse movimento e na desapropriação de terras. "Com o decreto n4887, de novembro de 2003, que muda o conceito de quilombos, o presidente Lula desenterrava mais um espectro para assombrar nossos campos, ao permitir que escrituras de terras devidamente registradas em cartório se tornem obsoletas." Ele diz também que esse movimento serve para "turbinar perigosamente a fracassada reforma agrária" e faz perguntas do tipo "o direito de propriedade terá deixado de existir?", "terá acabado a segurança jurídica do Brasil e com ela o Estado de direito? Enfim, qual será o amanhã de nossos filhos e netos?".

Ele fala do apoio de alguns setores da igreja ao movimento, diz que "essa corrente ideológica de cunho marxista ganha mais força e penetração popular quando se infiltra nos meis católicos". Ele cita a Missa do Quilombo, realizada no Recife desde 1981, e fala que em 2004 a revista Catolicismo denunciou a "encenação" da missa como puro incitamento à rebelião.

As críticas mais argumentadas são sobre a lei determinar que as terras são reconhecidas como dos quilombolas apenas pela auto-atribuição, ou seja, basta eles se declararem moradores daquele local há algumas gerações; à transferência de propriedade sem indenização por parte do governo; e o grande número de moradores dessas áreas que não tem ligação alguma com os escravos fugidos, foram mais tarde moram na região.

O principal local estudado pelo autor (também jornalista) é o Município de São Matheus, em Londrina, hoje 80% desapropriado. Nos documentos que alegam que aquelas terras são remanescentes de quilombos, feito pela aassociação de moradores do local, a mesma caligrafia consta em quase todas as assinaturas do cadastro (o INCRA teria oferecido 50 alqueires de terra para cada família, bastava apenas dar nome, RG e CPF). Ao visitar a comunidade, o escritor disse não ter encontrado o lider da associação, e disse que essa história se repetiu em outras comunidades por onde passou.

Em uma comunidade em Campos Novos, Santa Catarina, o escritor observou que algumas associações de quilombos ofereciam cesta básica e por conta disso, grande parcela da região estava na lista de moradores da região associação, enviada ao INCRA. Entre as pessoas dessa lista estão até mesmo pequenos fazendeiros da região que, após a regulamentação da área como pertencente aos quilombos, teriam que entregar suas terras (e plantações das quais tiram seu sustento) e ficarem com os 50 alqueires prometidos pelo INCRA. Essa região teve 4 mil cadastrados, mas consta que apenas 32 famílias moram lá. Até a Mitra Diocesana, que é empresa jurídica, está cadastrada.

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A gente podia ter visto o que pensa por exemplo o pastor da Assembléia que fica na comunidade, se eles tivessem que dar as terras, teriam menos direito por elas que as outras pessoas que moram lá? Ou mesmo as casa que vimos que ficam fechadas, mas que são de fulano ou cicrano e eles apenas aprecem por lá de vez em quando? E no Cafundó eles disseram que vivem pacificamente naquela região, não há brigas com as fazendas vizinhas, se o processo sair e as terras forem regulamentadas como quilombolas, começaram então as brigas?

Bom, e claro, que a gente tem que checar essas informações do livro, pq mais tendencioso impossível.. Um dos capítulos do livro chama "A bondosa princisa Isabel substituída por Zumbi, um escravocrata", pra vocês terem uma idéia. De "jornalista" o escritor não tem nada.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

A 3ª visita e a festa

A terceira visita feita ao Cafundó, em 24/05, foi uma das principais para recolhermos conteúdo em vídeo. Gravamos entrevistas com moradores locais, com visitantes que estavam na cidade por ocasião da Festa de Sto Antônio, realizada pela comunidade, e com dois estudiosos sobre a comunidade.

O desafio, além de conseguir as entrevistas enquanto as preparações da festa eram feitas, foi como utilizar a câmera. Como queríamos filmar a festa, a mais tradicional realizada na comunidade e que começava apenas no fim da tarde, precisamos alugar um equipamento de filmagem e irmos sem o câmera da faculdade. Aprendemos a manejar a câmera sozinhos mas conseguimos boas imagens.

A festa mostrou um cultura arraigada nas tradições religiosas católicas mesclada com a cultura afro. A religiosidade do povo local mostrou-se muito forte e a festa também foi uma oportunidade para que a comunidade arrecadasse verba com barracas de comida e com o artesanato produzido pela associação de mulheres do Cafundó.

Das entrevistas com os moradores tivemos relatadas boa parte da história da comunidade, das experiências que eles já passaram no local e das expectativas que têm para o futuro da comunidade. A situação, de acordo com os moradores e com os especialistas, é triste. Sem a ajuda de instituições e ongs, que durante muitos anos apenas prometeram projetos que nunca foram implantados, a comunidade caminha para um processo de favelização.

Anotações sobre o livro O que é o virtual?


Pierre Lévy - O que é o virtual?


A leitura desse livro traz algumas questões mais teóricas sobre as diferenças de um texto no papel e no computador, na mudança que o "virtual" traz para o conteúdo que chega ao leitor.


Pierre Lévy descreve o virtual como o que é contrário ao estático, ao já constituído. Ele é um problema que é sempre repensado e não uma solução estável; o texto é transformado em problemática textual. Assim, quando disponibilizamos a reportagem de uam maneira virtual, o leitor vai ter a oportunidade de construir esse conteúdo, repensá-lo.


"O computador é um operador de potencialização da informação. (...) Toda leitura em computador é uma edição, uma montagem singular."


Lévy trabalha bastante o que o virtual tem de potencial, a dialética que se cria entre o real e o possível (potencial). Nós, ao fazermos essa reportagem de maneira multimídia, estamos abrindo essa campo do potencial para o leitor, estamos aprindo um campo de novas experiências possíveis para ele acessar esse conteúdo.


O livro cita a mudança no texto em si, quando, por exemplo, podemos no computador grifar, fazer comentários e então imprimir um texto. Talvez isso não seja finaceiramente viável pra gente, mas também seria uma opção de inovação nos nossos textos se as pessoas pudessem grifá-los e editá-los antes de imprimir.



quinta-feira, 10 de abril de 2008

“Cafundó- África no Brasil”


Bom, pessoal, tenho alguns apontamentos que gostaria de dividir com vocês...

....................................................................Capítulo 1: A "descoberta" do Cafundó

Neste primeiro capítulo, eles começam a contar que no final da década de 70, jornalistas e pesquisadores descobriram que havia esta comunidade tão próxima da capital paulista que ainda mantinha costumes africanos e, principalmente, a questão da língua. Citam algumas publicações e alguns jornalistas que eu tomei nota para o caso de querermos procurar...

>>Jornal Cruzeiro do Sul - 10-03-78
>>O Estado de S. Paulo - 19-03-78
>>Jornal da Tarde
>>Folha de S. Paulo
>>Revista Veja
>>Revista Istoé
>>Fantástico
>>Jornalistas que foram até lá: Benê Cleto, Sérgio Coelho

Personagens que temos de descobrir qual o grau de parentesco com quem ainda vive lá:
- Otávio Caetano (era o “líder” da comunidade na época, ver o que ele é do Marcos...)
- Assis Pires (na época tinha 13 anos e era o professor quando o Mobral fundou uma escola por lá, a Lurdinha nos mostrou a casa de um Assis, temos que ver se é ele...)

*Neste livro falam também que foi feito um documentário por um tv japonesa sobre Cafundó (podíamos tentar descobrir algo sobre isso)

Também falam de entidades que se envolveram com a comunidade (teríamos que checar se ainda têm alguma relação com Cafundó, se ajudaram, etc) :

- Comissão de Justiça e Paz em SP;
- Movimento Negro Unificado (MNU) – Hugo Ferreira da Silva: advogado, negro, integrante do MNU, que verificou na época a questão da terra);
- Clube Social 28 de Setembro (de Sorocaba) – presidente na época: Jorge Matos;
- Rotary Clube de Sorocaba;
- Museu do Folclore de S.P.;
- Centro de Estudos Africanos da USP;

>>Textos sobre Cafundó:

- “O charme discreto de Cafundó”, texto de Waterloo José Gregório da Silva, do Instituto de Artes da Unicamp.
- Tese de mestrado na Puc – Sorocaba, com o título “Cafundó”, autora: Clélia Noronha, área de Arquitetura.

- Abdias do Nascimento lança na Puc o Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), e inclui “Cafundó” no seu projeto básico de pesquisa sobre “Quilombos Contemporâneos”

>> João Mercado Neto (de Sorocaba) – ensinou o pessoal do Cafundó a fabricar tijolos de cimento.

>> Na Conferência na Usp, em 12-09-80, Gehard Kubik fala sobre Cafundó.

>> “Congressos Afro-Brasileiros” – 1934, no Recife e 1937, na Bahia (e depois? nunca mais teve?)

- Outros textos:

- “Extensionen Afrikanischer Kulturen in Brasilien” (Gehard Kubik, 1981)

- “The myth of the negro past” (Herskovits, 1941, EUA)

- “Os africanos no Brasil” (Nina Rodrigues, 1888)

- Revista Istoé (No 73, 17-05-78 : 46)

>>> Outra coisa que eu achei interessante, que nós até poderíamos utilizar, é o que chamam de Paradoxo de Expectactiva:

“Nascido da incompatibilidade, mais epistêmica e deôntica do que propriamente factual, entre desenvolvimento econômico e complexidade social, de um lado, e conservação de traços culturais sem nenhuma razão estrutural de ser ao menos aparente, de outro, este paradoxo explicaria a ênfase dada à “descoberta” do Cafundó, sobretudo quando se pensa em outras comunidades com características semelhantes espalhadas pelo Brasil e também já ‘descobertas’ ”

E isso foi só o primeiro capítulo...


..........................................................................Capítulo 2: “Histórias do Cafundó”

Neste capítulo, os autores tentam provar a legitimidade da doação das terras, buscando por documentos de doações feitos mais de cem anos antes.

Verificam registros de doações de terras a escravos e traçam as árvores genealógicas dos moradores do Cafundó, através dos registros de posse de escravos, e pela árvore genealógicos dos senhores vão verificando quem são seus escravos para traçar a árvore genealógica destes últimos.

É um texto longo, complicado e com poucas conclusões factuais. Enfim, acho que não tem nada que possamos aproveitar deste capítulo.
..............Capítulo 3: O mundo social e cultural do Cafundó: estrutura e estratégia

Neste terceiro capítulo, o livro já traz algumas informações mais relevantes para nossa reportagem e que podem até nos ajudar quando formos preparar as perguntas para as entrevistas que vamos fazer com os moradores.

Ele define a estrutura espacial da comunidade de acordo com as duas famílias (Almeida Caetano e Pires Cardoso), o que , como vimos, ainda acontece hoje em dia.

1º Conjunto de casas: descendentes de Ifigênia (Almeida Caetano), católicos

2º Conjunto de casas: descendentes de Antônia (Pires Cardoso), protestantes (Congregação – não entendo muito dessa religião, mas os autores do livro falam que são protestantes e da Congregação Cristã do Brasil – alguém de vocês saber se é assim mesmo?)

>>> Importante: Nessa parte ele fala que uma mulher chamada Maria Augusta (irmã de Otávio Caetano) é mãe de três filhos: Adauto, Juvenil e Marcos. (ou é muita coincidência ou é a mãe do Marcos, não era Juvenil o nome do irmão dele? – e aí se for o mesmo Marcos, tem mais história ainda pra contar, pq nesse livro conta que o Marcos, Adauto e Noel, sobrinhos de Otávio, mataram um homem chamado Benedito de Souza, em 18-07-78, quando este tentava cercar com arame farpado um pedaço de terra da comunidade, por ordem do fazendeiro Fuad Marum (no livro também citam que a notícia saiu no Jornal da Tarde)

Em seguida, é traçado um paralelo entre as duas famílias, da seguinte forma:

Almeida Caetano x Pires Cardoso

Cigarra Formiga
“Vagabundos” “Trabalhadores”
Embrulhões Honestos
Falam a falange Não falam
Não-aliança com o poder local Aliança
Católicos Crentes
Emprego esporádico Emprego regular
“Autonomia” “Dependência”

APÓS A “DESCOBERTA” DO CAFUNDÓ POR JORNALISTAS E PESQUISADORES, A RELAÇÃO DAS DUAS FAMÍLIAS MUDA À MEDIDA EM SE RELACIONAM DE DIFERENTES FORMAS COM O ‘PODER LOCAL’ E O ‘PODER DISTANTE’ (que são os próprios jornalistas, pesquisadores e pessoas que se interessaram pela comunidade)

Poder Local
Almeida Caetano Pires Cardoso

Autônomos Dependentes
Valor negativo Valor positivo(estigma) (eleição)

Poder Distante

Almeida Caetano Pires Cardoso

Dependentes Autônomos
Valor Positivo Valor negativo
(eleição) (estigma)
Aliança Indiferença



Outra observação que é feita é a de que o papel social da falange (“língua africana”) está relacionado com o aspecto ritual de seu uso; seria como um mecanismo compensatório ou espaço mítico.

Por último, os autores deste livro afirmam que a chegada do Mobral e do Pró-Nutri aproximou as duas parentelas. (E dá aqui o nome dos pais do “menino professor” Assis Pires (13) filho de Pedro e Judite Pires.

...Capítulo 4: A “língua africana” do Cafundó: vocabulário e formas de expressão

Neste capítulo, na minha opinião, também não tem muita coisa que possamos aproveitar não... ele explica a formação desta língua, citando todas as palavras existentes (o que pode ser útil se quisermos colocar um link para “dicionário do Cafundó”, já que já tem uma lista de todas as palavras e sinônimos em português)

Aí eles fazem uma análise muito complexa, quase um estudo linguístico, gramatical, porque não tem muitos verbos, ai colocam verbos em português no meio das frases; também que muitas palavras são formadas por outras duas para formar um terceiro significado e como fazem isso, etc.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Anotações sobre o livro Modelos de Jornalismo Digital

O livro Modelos de Jornalismo Digital, organizado por Elias machado e Marcos Palacios, apesar de escrito em 2003, trás um bom panorama do web jornalismo através de artigos escritos, em geral, por professores da Universidade Federal da Bahia.

Destaca-se o jornal A Tarde on-line (que tem uma seção chamada Interatividade) e a reportagem multimídia Maracangalha.com, feita como TCC na UFBA (está fora do ar...), da qual Beatriz Ribas, dedica boas páginas todo o processo de produção.

No texto sobre essa reportagem multimídia, Beatriz conta que ao decidir reunir informações sobre uma comunidade, sua história, personagens, conhecimentos recentes e perspectivas, prestando um serviço aos representantes de um movimento que defende sua revitalização (a cidade de Maracangalha parece ter uma situação tão precária quanto o Cafundó) tornar o material acessível na web foi a melhor solução. "A Internet potencializa o acesso e o armazenamento do registro documental."

Diferentemente dos documentários tradicionais, um web documentário oferece ao usuário uma estrutura multidimensional de informações interconectadas além de não ter como tempo de vida só o tempo de exibição, mas sim, ser vivo e em constante modificação.

A metodologia para produção de Maracangalha foi dividida em 6 etapas (bem parecidas com a maneira como estruturamos nosso projeto):
- Pesquisa: busca de informações, adequação do conteúdo que foi reunido de acordo com a proposta, identificação dos formatos possíveis para apresentação, levantamento do investimemento que pode ser feito e o tipo de tecnologia que será usada. Com o material colhido, define-se quem serão os participantes: editores, webdesigners, fotógrafos...
- Arquitetura da informação: o site Maracangalha foi estruturado com 6 páginas que simbolizavam os lugarem mais importantes da vila, além das seções Posto de Informação, Imprensa, Guia de Navegação e Créditos
- Conteúdo: pensar, por exemplo, como os vídeos serão carregados, como os textos serão divididos
- Vídeo: Como Internet exibe uma resolução baixa, fizeram vídeos de até 2 min (seria uma solução pra gente, enquanto abre um infográfico no meio do vídeo, ele carregar a continuação do vídeo?), tiveram que digitalizar todas as fitas e realizar poucos movimentos nas filmagens para que, em baixa resolução, o vídeo não ficasse distorcido
- Áudio: entrevistas importantes ganahm o mesmo valor, mesmo estando apenas em áudio. eles editaram com Sound Forge 4.5
- Projeto Gráfico: utilização de elementos visuais que caracterizavam a vila (placas, casas, roupas...)

Os organizadores do livro falam de elementos que caracterizam o web jornalismo são:
-multimidialidade/convergência
-interatividade
-hipertextualidade
-customização de conteúdo/ personalização
-memória (a capacidade de armazenamento de informações na web/ arquivos)
-Instantaneidade/ atualização contínua

Luciana Mielniczuk no artigo "Sistematizando alguns conhecimentos sobre jornalismo na web", fala que "as reportagens especiais para web são geralmente dispostas de maneira permanente e cumulativa, por vezes, lembrando até um caráter enciclopédico".

Por fim, Lia Seixas, no artigo Gêneros Jornalisticos Digitais: critérios para definir os produtos do webjornalismo, diz que esses critérios são: interação (tipo de relação entre interlocutores), autoria, recepção (horizonte de expectativas), contrato social (ato de leitura), linguagens , tempo, formato e mídia.


Na bibliografia utilizada nesses artigos há outras referências para nós:
Roger Black - Websites que funcionam
Arlindo Machado - Hipermídia: o labirinto como metáfora
Gilberto Prado: Sites na web: considerações sobre design gráfico e a estrutura de navegação
Bardoel e Deuze: http://www.firstmonday.org/issues/issue6_10/deuze/ (procurar livro)
André Manta - Guia de Jornalismo na Internet: (http://www.facom.ufba.br/pesq/cyber/manta/guia/)
http://www.msnbc.msn.com/
André Lemos - Andar, clicar e escrever hipertextos (www.facom.ufba.br/hipertexto/andre.html )