quarta-feira, 19 de novembro de 2008, 20:01 | Online
Projeto 'antiquilombola' é retirado da pauta na Câmara
Principal ponto contestado é o que permite a autodenominação de uma comunidade como sendo de quilombos
de O Estado de S.Paulo
SÃO PAULO - Um acordo de última hora permitiu retirar de pauta o Projeto de Decreto Legislativo apelidado antiquilombola, que tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Valdir Colatto (PMDB/SC), e o ministro da Secretaria de Promoção de Políticas para Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, firmaram um acordo para "paralisar" a tramitação do projeto.
De autoria de Colatto, o Projeto de Decreto Legislativo suspende o decreto presidencial 4887/2003 que regulamenta a demarcação e titulação de terras destinadas a remanescentes de comunidades quilombolas.
O principal ponto contestado pelo parlamentar é o que permite a autodenominação de uma comunidade como sendo descendente de quilombos. A lei atual determina que a caracterização das comunidades dos quilombos seja atestada mediante autodefinição da comunidade constituída de simples declaração escrita pelos interessados.
De acordo com Colatto, segundo informações da Agência Câmara, o decreto extrapola a Constituição. "A identificação e a territorialidade estão no decreto, mas não existe na Constituição nem em lei nenhuma", diz o parlamentar.
Para o deputado, o artigo questionado do decreto cria margem para que pessoas de má fé se declarem quilombolas apenas para tomar posse de terras que não são suas.
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac280407,0.htm
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
quilombocafundo.com.br
O site www.quilombocafundo.com.br é uma reportagem multimídia sobre a comunidade remanescente de quilombo (CRQ) Cafundó, bairro rural de Salto de Pirapora, São Paulo.
Essa reportagem é um Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero/2008, sob orientação do professor Celso Unzelte, realizado pelos alunos:
Pedro Ramos de Araujo, 22 anos ( ulfsark2@gmail.com)
Lilian Gomes, 23 anos ( liliancg85@yahoo.com.br)
Juliana Mir Tonello, 22 anos ( jutonello@gmail.com)
Estamos no ar!
Finalmente!
A partir de agora, oficialmente, este blog deixa de ser um diário de bordo de um grupo de estudantes fazendo um projeto experimental para se tornar um blog de notícias sobre comunidades quilombolas.
Essa reportagem é um Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero/2008, sob orientação do professor Celso Unzelte, realizado pelos alunos:
Pedro Ramos de Araujo, 22 anos ( ulfsark2@gmail.com)
Lilian Gomes, 23 anos ( liliancg85@yahoo.com.br)
Juliana Mir Tonello, 22 anos ( jutonello@gmail.com)
Estamos no ar!
Finalmente!
A partir de agora, oficialmente, este blog deixa de ser um diário de bordo de um grupo de estudantes fazendo um projeto experimental para se tornar um blog de notícias sobre comunidades quilombolas.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Comissão Pró-Índio critica nova norma sobre quilombolas
Nova norma do Incra Desrespeita os Direitos Quilombolas
Foi publicada hoje a Instrução Normativa Incra Nº 49, de 29 de setembro de 2008 que regulamenta o procedimento para titulação das terras quilombolas.
A mudança da antiga norma foi rechaçada pelo movimento quilombola e seus parceiros. Conforme denunciado em diversas oportunidades, o governo federal está patrocinando um grande retrocesso na garantia de direitos reconhecidos pela Constituição Federal, pela Convenção 169 da OIT e pelo Decreto 4.887/2003.
A nova norma adota uma definição restritiva do conceito de terras ocupadas por comunidades quilombolas que contraria o disposto na Convenção 169 da OIT. Como conseqüência, corre-se o risco de reduzir a titulação apenas às áreas onde estão localizadas as moradias, sem que as comunidades possam garantir acesso aos recursos ambientais necessários para sua sobrevivência física e cultural.
O direito a auto-identificação também foi atingido uma vez que a nova norma condiciona o início do processo de titulação à Certidão de Registro no "Cadastro Geral de Remanescentes de Comunidades de Quilombos" da Fundação Cultural Palmares. Trata-se de claro desrespeito ao critério da "consciência de sua identidade", estabelecido no artigo 1.2 da Convenção 169 da OIT como definidor do pertencimento étnico.
A nova norma trás ainda uma série de obstáculos burocráticos que praticamente inviabilizarão as titulações. É o caso das novas exigências para os relatórios de identificação das terras de quilombos. A nova instrução imputa ao relatório um alto grau de detalhamento que não se justifica em um documento para tal finalidade e que estaria mais adequado à pesquisa acadêmica. Além de tornar o processo de titulação mais moroso, as exigências introduzidas pela nova norma representarão um desperdício de tempo e dinheiro público.
O processo de redação da proposta de nova instrução normativa deu-se apenas entre órgãos do governo federal sem participação da sociedade. E a consulta prévia convocada pelo governo federal para apreciar medida em abril de 2008 está sendo questionada por organizações quilombolas e ONGs junto a Organização Internacional do Trabalho. Em 1 de setembro, por meio da Central Única dos Trabalhadores, 10 organizações quilombolas e 12 ONGs protocolaram comunicação junto a OIT denunciando que o Estado Brasileiro não vem cumprindo as determinações da Convenção 169 e que a consulta promovida pelo governo não atendeu a determinação do tratado internacional.
O texto da IN 49/2008 pode ser acessado no Diário Oficial edição de 01/10/2008
Foi publicada hoje a Instrução Normativa Incra Nº 49, de 29 de setembro de 2008 que regulamenta o procedimento para titulação das terras quilombolas.
A mudança da antiga norma foi rechaçada pelo movimento quilombola e seus parceiros. Conforme denunciado em diversas oportunidades, o governo federal está patrocinando um grande retrocesso na garantia de direitos reconhecidos pela Constituição Federal, pela Convenção 169 da OIT e pelo Decreto 4.887/2003.
A nova norma adota uma definição restritiva do conceito de terras ocupadas por comunidades quilombolas que contraria o disposto na Convenção 169 da OIT. Como conseqüência, corre-se o risco de reduzir a titulação apenas às áreas onde estão localizadas as moradias, sem que as comunidades possam garantir acesso aos recursos ambientais necessários para sua sobrevivência física e cultural.
O direito a auto-identificação também foi atingido uma vez que a nova norma condiciona o início do processo de titulação à Certidão de Registro no "Cadastro Geral de Remanescentes de Comunidades de Quilombos" da Fundação Cultural Palmares. Trata-se de claro desrespeito ao critério da "consciência de sua identidade", estabelecido no artigo 1.2 da Convenção 169 da OIT como definidor do pertencimento étnico.
A nova norma trás ainda uma série de obstáculos burocráticos que praticamente inviabilizarão as titulações. É o caso das novas exigências para os relatórios de identificação das terras de quilombos. A nova instrução imputa ao relatório um alto grau de detalhamento que não se justifica em um documento para tal finalidade e que estaria mais adequado à pesquisa acadêmica. Além de tornar o processo de titulação mais moroso, as exigências introduzidas pela nova norma representarão um desperdício de tempo e dinheiro público.
O processo de redação da proposta de nova instrução normativa deu-se apenas entre órgãos do governo federal sem participação da sociedade. E a consulta prévia convocada pelo governo federal para apreciar medida em abril de 2008 está sendo questionada por organizações quilombolas e ONGs junto a Organização Internacional do Trabalho. Em 1 de setembro, por meio da Central Única dos Trabalhadores, 10 organizações quilombolas e 12 ONGs protocolaram comunicação junto a OIT denunciando que o Estado Brasileiro não vem cumprindo as determinações da Convenção 169 e que a consulta promovida pelo governo não atendeu a determinação do tratado internacional.
O texto da IN 49/2008 pode ser acessado no Diário Oficial edição de 01/10/2008
Notícias de última hora sobre quilombos....
Saiu no Estadão hoje...
Quarta-Feira, 01 de Outubro de 2008 Versão Impressa
Nova norma exige laudo de antropólogos sem vínculo com interessados, além de consulta a órgãos ambientais, indígenas e, se for o caso, militares
Leonencio Nossa, BRASÍLIA
Diante da onda de pedidos polêmicos de reconhecimento de áreas quilombolas, o governo aumentou a rigidez do processo de regularização das terras remanescentes de comunidades negras tradicionais. O texto da nova instrução normativa, já aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, torna mais difícil a abertura do processo, com a exigência de um laudo de antropólogos sem vínculos com os interessados, além de consultas a órgãos ambientais, indígenas e, se for o caso, até militares.
Pelas novas regras, não basta um grupo se identificar como descendente de antigos ocupantes das terras para iniciar o processo. Disposto a evitar conflito com o movimento negro, o governo diz que o mecanismo da "autodeclaração" permanece na etapa inicial. Na prática, porém, o processo só começa com um certificado emitido pela Fundação Cultural Palmares, preparado por antropólogos.
Depois, diversos órgãos públicos deverão ser consultados, como o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Setores militares poderão apresentar parecer, se a área reivindicada for considerada de interesse de alguma das três Forças.
CONFLITO
O despacho de Lula com o texto da Instrução Normativa 21, que detalha o Decreto 4.887/03, sobre critérios de regularização de áreas quilombolas, deveria ter sido publicado ontem no Diário Oficial da União. O governo tinha até preparado uma entrevista coletiva. Um inesperado ataque do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) anteontem adiou o anúncio.
O despacho presidencial deve ser publicado hoje, segundo informou o Incra.
Acusado por Minc de montar assentamentos que devastam a floresta amazônica, o Incra também perderá força na demarcação de áreas quilombolas. Além de ser alvo dos ruralistas, o Incra enfrenta críticas dentro do próprio governo por disputar áreas com a Funai e o Ibama.
Setores do movimento negro que participaram da fase de consultas reclamaram que o processo ficou mais lento e burocrático, o que atenderia a interesses do agronegócio.
Nas conversas mantidas com o presidente Lula e ministros do governo, o advogado-geral da União (AGU), José Antonio Dias Toffoli, argumentou que a nova norma torna mais objetivo o pedido de demarcação e acaba com confusão nas etapas finais do processo.
Quarta-Feira, 01 de Outubro de 2008 Versão Impressa
Nova norma exige laudo de antropólogos sem vínculo com interessados, além de consulta a órgãos ambientais, indígenas e, se for o caso, militares
Leonencio Nossa, BRASÍLIA
Diante da onda de pedidos polêmicos de reconhecimento de áreas quilombolas, o governo aumentou a rigidez do processo de regularização das terras remanescentes de comunidades negras tradicionais. O texto da nova instrução normativa, já aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, torna mais difícil a abertura do processo, com a exigência de um laudo de antropólogos sem vínculos com os interessados, além de consultas a órgãos ambientais, indígenas e, se for o caso, até militares.
Pelas novas regras, não basta um grupo se identificar como descendente de antigos ocupantes das terras para iniciar o processo. Disposto a evitar conflito com o movimento negro, o governo diz que o mecanismo da "autodeclaração" permanece na etapa inicial. Na prática, porém, o processo só começa com um certificado emitido pela Fundação Cultural Palmares, preparado por antropólogos.
Depois, diversos órgãos públicos deverão ser consultados, como o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Setores militares poderão apresentar parecer, se a área reivindicada for considerada de interesse de alguma das três Forças.
CONFLITO
O despacho de Lula com o texto da Instrução Normativa 21, que detalha o Decreto 4.887/03, sobre critérios de regularização de áreas quilombolas, deveria ter sido publicado ontem no Diário Oficial da União. O governo tinha até preparado uma entrevista coletiva. Um inesperado ataque do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) anteontem adiou o anúncio.
O despacho presidencial deve ser publicado hoje, segundo informou o Incra.
Acusado por Minc de montar assentamentos que devastam a floresta amazônica, o Incra também perderá força na demarcação de áreas quilombolas. Além de ser alvo dos ruralistas, o Incra enfrenta críticas dentro do próprio governo por disputar áreas com a Funai e o Ibama.
Setores do movimento negro que participaram da fase de consultas reclamaram que o processo ficou mais lento e burocrático, o que atenderia a interesses do agronegócio.
Nas conversas mantidas com o presidente Lula e ministros do governo, o advogado-geral da União (AGU), José Antonio Dias Toffoli, argumentou que a nova norma torna mais objetivo o pedido de demarcação e acaba com confusão nas etapas finais do processo.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Mestrado Daniela Bertocchi
Não consegui ler tudo ainda, mas separei alguns pontos interessantes para vermos se nosso TCC está cumprindo. Primeiro, que a narrativa multimídia se baseia em três princípios: princípio da conexão (acho que se cumpre quando likarmos “tudo com tudo”), princípio da unidade ou coesão (também acho que seguimos uma linha narrativa geral, quando optamos pelo maior destaque em uma reportagem principal e links para as reportagens de temas complementares, além de quando utilizamos em uma mesma página vídeo, texto e áudio com um tipo de mídia completando o outro) e princípio da liberdade aparente (quando o leitor tem liberdade de navegação, principalmente; ele pode ver um vídeo, e passar para um texto no mesmo tema, e daí se interessar por um vídeo de outro assunto, ou voltar para um áudio, por ex).
E sobre o que a Daniela Osvald nos indicou para lermos no mestrado, a diferença entre hipertextos por associação e hipertextos por conexão. Por associação seria um modelo de estrutura em rede, mais ou menos quando uma coisa se liga a outras sem uma ordem hierárquica, uma representação não seqüencial de idéias (a mente humana funciona assim, por associação) e esse formato seria até mesmo um instrumento para a criatividade individual, para quem navega montar seu trajeto narrativo. Por conexão, seria uma estrutura axial, num formato como desenhamos, por exemplo, uma árvore genealógica. Esse tipo de link é bom quando temos muito conteúdo armazenado, como uma base de dados, formando algo como um documento eletrônico, e é interessante também por ter associações controladas, ou seja, o leitor não precisa navegar acidentalmente.
Bom, e por último, algo que acho que era uma preocupação minha, que pudesse faltar algo mais interativo no TCC. O que ela diz é que a cooperação do leitor em reportagens multimídias está muito mais na liberdade de navegação que damos a ele, na liberdade dele construir esse caminho narrativo. E mesmo com o blog que vamos linkar, essa atuação é participativa, não de co-autoria.
E sobre o que a Daniela Osvald nos indicou para lermos no mestrado, a diferença entre hipertextos por associação e hipertextos por conexão. Por associação seria um modelo de estrutura em rede, mais ou menos quando uma coisa se liga a outras sem uma ordem hierárquica, uma representação não seqüencial de idéias (a mente humana funciona assim, por associação) e esse formato seria até mesmo um instrumento para a criatividade individual, para quem navega montar seu trajeto narrativo. Por conexão, seria uma estrutura axial, num formato como desenhamos, por exemplo, uma árvore genealógica. Esse tipo de link é bom quando temos muito conteúdo armazenado, como uma base de dados, formando algo como um documento eletrônico, e é interessante também por ter associações controladas, ou seja, o leitor não precisa navegar acidentalmente.
Bom, e por último, algo que acho que era uma preocupação minha, que pudesse faltar algo mais interativo no TCC. O que ela diz é que a cooperação do leitor em reportagens multimídias está muito mais na liberdade de navegação que damos a ele, na liberdade dele construir esse caminho narrativo. E mesmo com o blog que vamos linkar, essa atuação é participativa, não de co-autoria.
domingo, 27 de julho de 2008
(última?) Viagem ao Cafundó... entrevistas
No dia 28 de junho de 2008, saímos, eu (Lilian), meu marido e colaborador do grupo, Edimarcos, o colega de grupo, Pedro, e o cinegrafista Rubens, da Faculdade Cásper Líbero, antes das nove horas da manhã, para começar a que deve ter sido a nossa última viagem ao Cafundó.
Já havíamos avisado que iríamos e o Marcos, líder da comunidade já aguardava por nós.
Nosso objetivo era entrevistar ele e os seus dois irmãos, Adauto e Juvenil, e, ainda, se possível, o morador mais velho da comunidade.
No final só não conseguimos um dos irmãos, o Adauto, que tinha ido fazer sei lá o que, sei lá aonde e acabou não aparecendo para entrevista.
Mas as três entrevistas que conseguimos foram muito boas, agora falta pouca apuração e muita edição pela frente....
Na última sexta-feira, 25 de julho, fui ao Itesp, Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo, e entrevistei a senhora Maria Ignez, analista de desenvolvimento agrário, da Assistência Especial para Quilombos.
Agora estamos tentando marcar uma entrevista com alguém do Incra, para darem a posição deles sobre a situação da titulação das terras, e também com o Itesp de Sorocaba para nos falar sobre os projetos agrícolas desenvolvidos no Cafundó.
Já temos muito material para decupar e combinamos de terminar tudo até a próxima quarta, 30 de julho, quando nos reuniremos, Lilian, Juliana e Pedro, para definirmos as próximas etapas do nosso trabalho.
Vamos lá, pessoal, ainda tem muita água para passar debaixo desta ponte...
Força!
e até quarta!
Já havíamos avisado que iríamos e o Marcos, líder da comunidade já aguardava por nós.
Nosso objetivo era entrevistar ele e os seus dois irmãos, Adauto e Juvenil, e, ainda, se possível, o morador mais velho da comunidade.
No final só não conseguimos um dos irmãos, o Adauto, que tinha ido fazer sei lá o que, sei lá aonde e acabou não aparecendo para entrevista.
Mas as três entrevistas que conseguimos foram muito boas, agora falta pouca apuração e muita edição pela frente....
Na última sexta-feira, 25 de julho, fui ao Itesp, Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo, e entrevistei a senhora Maria Ignez, analista de desenvolvimento agrário, da Assistência Especial para Quilombos.
Agora estamos tentando marcar uma entrevista com alguém do Incra, para darem a posição deles sobre a situação da titulação das terras, e também com o Itesp de Sorocaba para nos falar sobre os projetos agrícolas desenvolvidos no Cafundó.
Já temos muito material para decupar e combinamos de terminar tudo até a próxima quarta, 30 de julho, quando nos reuniremos, Lilian, Juliana e Pedro, para definirmos as próximas etapas do nosso trabalho.
Vamos lá, pessoal, ainda tem muita água para passar debaixo desta ponte...
Força!
e até quarta!
sábado, 12 de julho de 2008
Na contramão
Diferentemente dos livros que exaltam a falta de ajuda às comunidades quilombolas e as dificuldades que os moradores dessas comunidades têm passado, o livro ARevolução Quilombola, de Nelson Ramos Barretto, mostra o movimento a partir de uma "guerra racial" e do confisco de terras.
O autor usa, para abrir o livro, uma frase de um funcionário do INCRA que classifica a luta das comunidades quilombolas como um MST de negros, e foca todo o começo do livro na luta entre raças, que ele acredita ser fomentada por esse movimento e na desapropriação de terras. "Com o decreto n4887, de novembro de 2003, que muda o conceito de quilombos, o presidente Lula desenterrava mais um espectro para assombrar nossos campos, ao permitir que escrituras de terras devidamente registradas em cartório se tornem obsoletas." Ele diz também que esse movimento serve para "turbinar perigosamente a fracassada reforma agrária" e faz perguntas do tipo "o direito de propriedade terá deixado de existir?", "terá acabado a segurança jurídica do Brasil e com ela o Estado de direito? Enfim, qual será o amanhã de nossos filhos e netos?".
Ele fala do apoio de alguns setores da igreja ao movimento, diz que "essa corrente ideológica de cunho marxista ganha mais força e penetração popular quando se infiltra nos meis católicos". Ele cita a Missa do Quilombo, realizada no Recife desde 1981, e fala que em 2004 a revista Catolicismo denunciou a "encenação" da missa como puro incitamento à rebelião.
As críticas mais argumentadas são sobre a lei determinar que as terras são reconhecidas como dos quilombolas apenas pela auto-atribuição, ou seja, basta eles se declararem moradores daquele local há algumas gerações; à transferência de propriedade sem indenização por parte do governo; e o grande número de moradores dessas áreas que não tem ligação alguma com os escravos fugidos, foram mais tarde moram na região.
O principal local estudado pelo autor (também jornalista) é o Município de São Matheus, em Londrina, hoje 80% desapropriado. Nos documentos que alegam que aquelas terras são remanescentes de quilombos, feito pela aassociação de moradores do local, a mesma caligrafia consta em quase todas as assinaturas do cadastro (o INCRA teria oferecido 50 alqueires de terra para cada família, bastava apenas dar nome, RG e CPF). Ao visitar a comunidade, o escritor disse não ter encontrado o lider da associação, e disse que essa história se repetiu em outras comunidades por onde passou.
Em uma comunidade em Campos Novos, Santa Catarina, o escritor observou que algumas associações de quilombos ofereciam cesta básica e por conta disso, grande parcela da região estava na lista de moradores da região associação, enviada ao INCRA. Entre as pessoas dessa lista estão até mesmo pequenos fazendeiros da região que, após a regulamentação da área como pertencente aos quilombos, teriam que entregar suas terras (e plantações das quais tiram seu sustento) e ficarem com os 50 alqueires prometidos pelo INCRA. Essa região teve 4 mil cadastrados, mas consta que apenas 32 famílias moram lá. Até a Mitra Diocesana, que é empresa jurídica, está cadastrada.
------------------
A gente podia ter visto o que pensa por exemplo o pastor da Assembléia que fica na comunidade, se eles tivessem que dar as terras, teriam menos direito por elas que as outras pessoas que moram lá? Ou mesmo as casa que vimos que ficam fechadas, mas que são de fulano ou cicrano e eles apenas aprecem por lá de vez em quando? E no Cafundó eles disseram que vivem pacificamente naquela região, não há brigas com as fazendas vizinhas, se o processo sair e as terras forem regulamentadas como quilombolas, começaram então as brigas?
Bom, e claro, que a gente tem que checar essas informações do livro, pq mais tendencioso impossível.. Um dos capítulos do livro chama "A bondosa princisa Isabel substituída por Zumbi, um escravocrata", pra vocês terem uma idéia. De "jornalista" o escritor não tem nada.
O autor usa, para abrir o livro, uma frase de um funcionário do INCRA que classifica a luta das comunidades quilombolas como um MST de negros, e foca todo o começo do livro na luta entre raças, que ele acredita ser fomentada por esse movimento e na desapropriação de terras. "Com o decreto n4887, de novembro de 2003, que muda o conceito de quilombos, o presidente Lula desenterrava mais um espectro para assombrar nossos campos, ao permitir que escrituras de terras devidamente registradas em cartório se tornem obsoletas." Ele diz também que esse movimento serve para "turbinar perigosamente a fracassada reforma agrária" e faz perguntas do tipo "o direito de propriedade terá deixado de existir?", "terá acabado a segurança jurídica do Brasil e com ela o Estado de direito? Enfim, qual será o amanhã de nossos filhos e netos?".
Ele fala do apoio de alguns setores da igreja ao movimento, diz que "essa corrente ideológica de cunho marxista ganha mais força e penetração popular quando se infiltra nos meis católicos". Ele cita a Missa do Quilombo, realizada no Recife desde 1981, e fala que em 2004 a revista Catolicismo denunciou a "encenação" da missa como puro incitamento à rebelião.
As críticas mais argumentadas são sobre a lei determinar que as terras são reconhecidas como dos quilombolas apenas pela auto-atribuição, ou seja, basta eles se declararem moradores daquele local há algumas gerações; à transferência de propriedade sem indenização por parte do governo; e o grande número de moradores dessas áreas que não tem ligação alguma com os escravos fugidos, foram mais tarde moram na região.
O principal local estudado pelo autor (também jornalista) é o Município de São Matheus, em Londrina, hoje 80% desapropriado. Nos documentos que alegam que aquelas terras são remanescentes de quilombos, feito pela aassociação de moradores do local, a mesma caligrafia consta em quase todas as assinaturas do cadastro (o INCRA teria oferecido 50 alqueires de terra para cada família, bastava apenas dar nome, RG e CPF). Ao visitar a comunidade, o escritor disse não ter encontrado o lider da associação, e disse que essa história se repetiu em outras comunidades por onde passou.
Em uma comunidade em Campos Novos, Santa Catarina, o escritor observou que algumas associações de quilombos ofereciam cesta básica e por conta disso, grande parcela da região estava na lista de moradores da região associação, enviada ao INCRA. Entre as pessoas dessa lista estão até mesmo pequenos fazendeiros da região que, após a regulamentação da área como pertencente aos quilombos, teriam que entregar suas terras (e plantações das quais tiram seu sustento) e ficarem com os 50 alqueires prometidos pelo INCRA. Essa região teve 4 mil cadastrados, mas consta que apenas 32 famílias moram lá. Até a Mitra Diocesana, que é empresa jurídica, está cadastrada.
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A gente podia ter visto o que pensa por exemplo o pastor da Assembléia que fica na comunidade, se eles tivessem que dar as terras, teriam menos direito por elas que as outras pessoas que moram lá? Ou mesmo as casa que vimos que ficam fechadas, mas que são de fulano ou cicrano e eles apenas aprecem por lá de vez em quando? E no Cafundó eles disseram que vivem pacificamente naquela região, não há brigas com as fazendas vizinhas, se o processo sair e as terras forem regulamentadas como quilombolas, começaram então as brigas?
Bom, e claro, que a gente tem que checar essas informações do livro, pq mais tendencioso impossível.. Um dos capítulos do livro chama "A bondosa princisa Isabel substituída por Zumbi, um escravocrata", pra vocês terem uma idéia. De "jornalista" o escritor não tem nada.
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