
Bom, pessoal, tenho alguns apontamentos que gostaria de dividir com vocês...
....................................................................Capítulo 1: A "descoberta" do Cafundó
Neste primeiro capítulo, eles começam a contar que no final da década de 70, jornalistas e pesquisadores descobriram que havia esta comunidade tão próxima da capital paulista que ainda mantinha costumes africanos e, principalmente, a questão da língua. Citam algumas publicações e alguns jornalistas que eu tomei nota para o caso de querermos procurar...
>>Jornal Cruzeiro do Sul - 10-03-78
>>O Estado de S. Paulo - 19-03-78
>>Jornal da Tarde
>>Folha de S. Paulo
>>Revista Veja
>>Revista Istoé
>>Fantástico
>>Jornalistas que foram até lá: Benê Cleto, Sérgio Coelho
Personagens que temos de descobrir qual o grau de parentesco com quem ainda vive lá:
- Otávio Caetano (era o “líder” da comunidade na época, ver o que ele é do Marcos...)
- Assis Pires (na época tinha 13 anos e era o professor quando o Mobral fundou uma escola por lá, a Lurdinha nos mostrou a casa de um Assis, temos que ver se é ele...)
*Neste livro falam também que foi feito um documentário por um tv japonesa sobre Cafundó (podíamos tentar descobrir algo sobre isso)
Também falam de entidades que se envolveram com a comunidade (teríamos que checar se ainda têm alguma relação com Cafundó, se ajudaram, etc) :
- Comissão de Justiça e Paz em SP;
- Movimento Negro Unificado (MNU) – Hugo Ferreira da Silva: advogado, negro, integrante do MNU, que verificou na época a questão da terra);
- Clube Social 28 de Setembro (de Sorocaba) – presidente na época: Jorge Matos;
- Rotary Clube de Sorocaba;
- Museu do Folclore de S.P.;
- Centro de Estudos Africanos da USP;
>>Textos sobre Cafundó:
- “O charme discreto de Cafundó”, texto de Waterloo José Gregório da Silva, do Instituto de Artes da Unicamp.
- Tese de mestrado na Puc – Sorocaba, com o título “Cafundó”, autora: Clélia Noronha, área de Arquitetura.
- Abdias do Nascimento lança na Puc o Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), e inclui “Cafundó” no seu projeto básico de pesquisa sobre “Quilombos Contemporâneos”
>> João Mercado Neto (de Sorocaba) – ensinou o pessoal do Cafundó a fabricar tijolos de cimento.
>> Na Conferência na Usp, em 12-09-80, Gehard Kubik fala sobre Cafundó.
>> “Congressos Afro-Brasileiros” – 1934, no Recife e 1937, na Bahia (e depois? nunca mais teve?)
- Outros textos:
- “Extensionen Afrikanischer Kulturen in Brasilien” (Gehard Kubik, 1981)
- “The myth of the negro past” (Herskovits, 1941, EUA)
- “Os africanos no Brasil” (Nina Rodrigues, 1888)
- Revista Istoé (No 73, 17-05-78 : 46)
>>> Outra coisa que eu achei interessante, que nós até poderíamos utilizar, é o que chamam de Paradoxo de Expectactiva:
“Nascido da incompatibilidade, mais epistêmica e deôntica do que propriamente factual, entre desenvolvimento econômico e complexidade social, de um lado, e conservação de traços culturais sem nenhuma razão estrutural de ser ao menos aparente, de outro, este paradoxo explicaria a ênfase dada à “descoberta” do Cafundó, sobretudo quando se pensa em outras comunidades com características semelhantes espalhadas pelo Brasil e também já ‘descobertas’ ”
E isso foi só o primeiro capítulo...
..........................................................................Capítulo 2: “Histórias do Cafundó”
Neste capítulo, os autores tentam provar a legitimidade da doação das terras, buscando por documentos de doações feitos mais de cem anos antes.
Verificam registros de doações de terras a escravos e traçam as árvores genealógicas dos moradores do Cafundó, através dos registros de posse de escravos, e pela árvore genealógicos dos senhores vão verificando quem são seus escravos para traçar a árvore genealógica destes últimos.
É um texto longo, complicado e com poucas conclusões factuais. Enfim, acho que não tem nada que possamos aproveitar deste capítulo.
..............Capítulo 3: O mundo social e cultural do Cafundó: estrutura e estratégia
Neste terceiro capítulo, o livro já traz algumas informações mais relevantes para nossa reportagem e que podem até nos ajudar quando formos preparar as perguntas para as entrevistas que vamos fazer com os moradores.
Ele define a estrutura espacial da comunidade de acordo com as duas famílias (Almeida Caetano e Pires Cardoso), o que , como vimos, ainda acontece hoje em dia.
1º Conjunto de casas: descendentes de Ifigênia (Almeida Caetano), católicos
2º Conjunto de casas: descendentes de Antônia (Pires Cardoso), protestantes (Congregação – não entendo muito dessa religião, mas os autores do livro falam que são protestantes e da Congregação Cristã do Brasil – alguém de vocês saber se é assim mesmo?)
>>> Importante: Nessa parte ele fala que uma mulher chamada Maria Augusta (irmã de Otávio Caetano) é mãe de três filhos: Adauto, Juvenil e Marcos. (ou é muita coincidência ou é a mãe do Marcos, não era Juvenil o nome do irmão dele? – e aí se for o mesmo Marcos, tem mais história ainda pra contar, pq nesse livro conta que o Marcos, Adauto e Noel, sobrinhos de Otávio, mataram um homem chamado Benedito de Souza, em 18-07-78, quando este tentava cercar com arame farpado um pedaço de terra da comunidade, por ordem do fazendeiro Fuad Marum (no livro também citam que a notícia saiu no Jornal da Tarde)
Em seguida, é traçado um paralelo entre as duas famílias, da seguinte forma:
Almeida Caetano x Pires Cardoso
Cigarra Formiga
“Vagabundos” “Trabalhadores”
Embrulhões Honestos
Falam a falange Não falam
Não-aliança com o poder local Aliança
Católicos Crentes
Emprego esporádico Emprego regular
“Autonomia” “Dependência”
APÓS A “DESCOBERTA” DO CAFUNDÓ POR JORNALISTAS E PESQUISADORES, A RELAÇÃO DAS DUAS FAMÍLIAS MUDA À MEDIDA EM SE RELACIONAM DE DIFERENTES FORMAS COM O ‘PODER LOCAL’ E O ‘PODER DISTANTE’ (que são os próprios jornalistas, pesquisadores e pessoas que se interessaram pela comunidade)
Poder Local
Almeida Caetano Pires Cardoso
Autônomos Dependentes
Valor negativo Valor positivo(estigma) (eleição)
Poder Distante
Almeida Caetano Pires Cardoso
Dependentes Autônomos
Valor Positivo Valor negativo
(eleição) (estigma)
Aliança Indiferença
Outra observação que é feita é a de que o papel social da falange (“língua africana”) está relacionado com o aspecto ritual de seu uso; seria como um mecanismo compensatório ou espaço mítico.
Por último, os autores deste livro afirmam que a chegada do Mobral e do Pró-Nutri aproximou as duas parentelas. (E dá aqui o nome dos pais do “menino professor” Assis Pires (13) filho de Pedro e Judite Pires.
...Capítulo 4: A “língua africana” do Cafundó: vocabulário e formas de expressão
Neste capítulo, na minha opinião, também não tem muita coisa que possamos aproveitar não... ele explica a formação desta língua, citando todas as palavras existentes (o que pode ser útil se quisermos colocar um link para “dicionário do Cafundó”, já que já tem uma lista de todas as palavras e sinônimos em português)
Aí eles fazem uma análise muito complexa, quase um estudo linguístico, gramatical, porque não tem muitos verbos, ai colocam verbos em português no meio das frases; também que muitas palavras são formadas por outras duas para formar um terceiro significado e como fazem isso, etc.
....................................................................Capítulo 1: A "descoberta" do Cafundó
Neste primeiro capítulo, eles começam a contar que no final da década de 70, jornalistas e pesquisadores descobriram que havia esta comunidade tão próxima da capital paulista que ainda mantinha costumes africanos e, principalmente, a questão da língua. Citam algumas publicações e alguns jornalistas que eu tomei nota para o caso de querermos procurar...
>>Jornal Cruzeiro do Sul - 10-03-78
>>O Estado de S. Paulo - 19-03-78
>>Jornal da Tarde
>>Folha de S. Paulo
>>Revista Veja
>>Revista Istoé
>>Fantástico
>>Jornalistas que foram até lá: Benê Cleto, Sérgio Coelho
Personagens que temos de descobrir qual o grau de parentesco com quem ainda vive lá:
- Otávio Caetano (era o “líder” da comunidade na época, ver o que ele é do Marcos...)
- Assis Pires (na época tinha 13 anos e era o professor quando o Mobral fundou uma escola por lá, a Lurdinha nos mostrou a casa de um Assis, temos que ver se é ele...)
*Neste livro falam também que foi feito um documentário por um tv japonesa sobre Cafundó (podíamos tentar descobrir algo sobre isso)
Também falam de entidades que se envolveram com a comunidade (teríamos que checar se ainda têm alguma relação com Cafundó, se ajudaram, etc) :
- Comissão de Justiça e Paz em SP;
- Movimento Negro Unificado (MNU) – Hugo Ferreira da Silva: advogado, negro, integrante do MNU, que verificou na época a questão da terra);
- Clube Social 28 de Setembro (de Sorocaba) – presidente na época: Jorge Matos;
- Rotary Clube de Sorocaba;
- Museu do Folclore de S.P.;
- Centro de Estudos Africanos da USP;
>>Textos sobre Cafundó:
- “O charme discreto de Cafundó”, texto de Waterloo José Gregório da Silva, do Instituto de Artes da Unicamp.
- Tese de mestrado na Puc – Sorocaba, com o título “Cafundó”, autora: Clélia Noronha, área de Arquitetura.
- Abdias do Nascimento lança na Puc o Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), e inclui “Cafundó” no seu projeto básico de pesquisa sobre “Quilombos Contemporâneos”
>> João Mercado Neto (de Sorocaba) – ensinou o pessoal do Cafundó a fabricar tijolos de cimento.
>> Na Conferência na Usp, em 12-09-80, Gehard Kubik fala sobre Cafundó.
>> “Congressos Afro-Brasileiros” – 1934, no Recife e 1937, na Bahia (e depois? nunca mais teve?)
- Outros textos:
- “Extensionen Afrikanischer Kulturen in Brasilien” (Gehard Kubik, 1981)
- “The myth of the negro past” (Herskovits, 1941, EUA)
- “Os africanos no Brasil” (Nina Rodrigues, 1888)
- Revista Istoé (No 73, 17-05-78 : 46)
>>> Outra coisa que eu achei interessante, que nós até poderíamos utilizar, é o que chamam de Paradoxo de Expectactiva:
“Nascido da incompatibilidade, mais epistêmica e deôntica do que propriamente factual, entre desenvolvimento econômico e complexidade social, de um lado, e conservação de traços culturais sem nenhuma razão estrutural de ser ao menos aparente, de outro, este paradoxo explicaria a ênfase dada à “descoberta” do Cafundó, sobretudo quando se pensa em outras comunidades com características semelhantes espalhadas pelo Brasil e também já ‘descobertas’ ”
E isso foi só o primeiro capítulo...
..........................................................................Capítulo 2: “Histórias do Cafundó”
Neste capítulo, os autores tentam provar a legitimidade da doação das terras, buscando por documentos de doações feitos mais de cem anos antes.
Verificam registros de doações de terras a escravos e traçam as árvores genealógicas dos moradores do Cafundó, através dos registros de posse de escravos, e pela árvore genealógicos dos senhores vão verificando quem são seus escravos para traçar a árvore genealógica destes últimos.
É um texto longo, complicado e com poucas conclusões factuais. Enfim, acho que não tem nada que possamos aproveitar deste capítulo.
..............Capítulo 3: O mundo social e cultural do Cafundó: estrutura e estratégia
Neste terceiro capítulo, o livro já traz algumas informações mais relevantes para nossa reportagem e que podem até nos ajudar quando formos preparar as perguntas para as entrevistas que vamos fazer com os moradores.
Ele define a estrutura espacial da comunidade de acordo com as duas famílias (Almeida Caetano e Pires Cardoso), o que , como vimos, ainda acontece hoje em dia.
1º Conjunto de casas: descendentes de Ifigênia (Almeida Caetano), católicos
2º Conjunto de casas: descendentes de Antônia (Pires Cardoso), protestantes (Congregação – não entendo muito dessa religião, mas os autores do livro falam que são protestantes e da Congregação Cristã do Brasil – alguém de vocês saber se é assim mesmo?)
>>> Importante: Nessa parte ele fala que uma mulher chamada Maria Augusta (irmã de Otávio Caetano) é mãe de três filhos: Adauto, Juvenil e Marcos. (ou é muita coincidência ou é a mãe do Marcos, não era Juvenil o nome do irmão dele? – e aí se for o mesmo Marcos, tem mais história ainda pra contar, pq nesse livro conta que o Marcos, Adauto e Noel, sobrinhos de Otávio, mataram um homem chamado Benedito de Souza, em 18-07-78, quando este tentava cercar com arame farpado um pedaço de terra da comunidade, por ordem do fazendeiro Fuad Marum (no livro também citam que a notícia saiu no Jornal da Tarde)
Em seguida, é traçado um paralelo entre as duas famílias, da seguinte forma:
Almeida Caetano x Pires Cardoso
Cigarra Formiga
“Vagabundos” “Trabalhadores”
Embrulhões Honestos
Falam a falange Não falam
Não-aliança com o poder local Aliança
Católicos Crentes
Emprego esporádico Emprego regular
“Autonomia” “Dependência”
APÓS A “DESCOBERTA” DO CAFUNDÓ POR JORNALISTAS E PESQUISADORES, A RELAÇÃO DAS DUAS FAMÍLIAS MUDA À MEDIDA EM SE RELACIONAM DE DIFERENTES FORMAS COM O ‘PODER LOCAL’ E O ‘PODER DISTANTE’ (que são os próprios jornalistas, pesquisadores e pessoas que se interessaram pela comunidade)
Poder Local
Almeida Caetano Pires Cardoso
Autônomos Dependentes
Valor negativo Valor positivo(estigma) (eleição)
Poder Distante
Almeida Caetano Pires Cardoso
Dependentes Autônomos
Valor Positivo Valor negativo
(eleição) (estigma)
Aliança Indiferença
Outra observação que é feita é a de que o papel social da falange (“língua africana”) está relacionado com o aspecto ritual de seu uso; seria como um mecanismo compensatório ou espaço mítico.
Por último, os autores deste livro afirmam que a chegada do Mobral e do Pró-Nutri aproximou as duas parentelas. (E dá aqui o nome dos pais do “menino professor” Assis Pires (13) filho de Pedro e Judite Pires.
...Capítulo 4: A “língua africana” do Cafundó: vocabulário e formas de expressão
Neste capítulo, na minha opinião, também não tem muita coisa que possamos aproveitar não... ele explica a formação desta língua, citando todas as palavras existentes (o que pode ser útil se quisermos colocar um link para “dicionário do Cafundó”, já que já tem uma lista de todas as palavras e sinônimos em português)
Aí eles fazem uma análise muito complexa, quase um estudo linguístico, gramatical, porque não tem muitos verbos, ai colocam verbos em português no meio das frases; também que muitas palavras são formadas por outras duas para formar um terceiro significado e como fazem isso, etc.
Um comentário:
“Nascido da incompatibilidade, mais epistêmica e deôntica do que propriamente factual, entre desenvolvimento econômico e complexidade social, de um lado, e conservação de traços culturais sem nenhuma razão estrutural de ser ao menos aparente, de outro, este paradoxo explicaria a ênfase dada à “descoberta” do Cafundó, sobretudo quando se pensa em outras comunidades com características semelhantes espalhadas pelo Brasil e também já ‘descobertas’ ”
Era mesmo pra eu ter entendido???
=( hehe
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